Estudo da CNI diz que falta incentivo para indústria promover uso eficiente da energia
O setor industrial responde por 40,7% de toda a energia consumida no Brasil, mas não há uma política governamental de longo prazo voltada para a eficiência energética. Essa é uma das conclusões do estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Eletrobrás.
Com o título Eficiência Energética na Indústria: o que Foi Feito no Brasil, o estudo é tema de seminário que leva o mesmo nome e que se realiza em São Paulo. Este é o primeiro de alguns encontros em que se discutirá projetos e oportunidades para o desenvolvimento da competitividade, até o fim do ano.
De acordo com o gerente-executivo da CNI, Augusto Jucá, a grande indústria tem capacidade para promover a eficiência energética, mas ainda faltam incentivos para que isso ocorra em sua plenitude. “Essa eficiência se traduz, principalmente, em preços mais baixos, competitividade no exterior e geração de renda. A indústria contribui com, aproximadamente, R$ 157 bilhões nas suas contas de energia e tem usado apenas R$ 150 milhões por ano na eficiência energética”, disse.
Para ele, esse valor é muito baixo tendo em vista o papel da indústria na questão das mudanças climáticas, tema que tem relação direta com o consumo de energia. “Não podemos mais nos ater a uma condição onde a eficiência energética não seja prioridade absoluta e uma coisa que conviva, diariamente, desde o operário da fábrica até o mais alto decisor dessa unidade industrial”.
Segundo Jucá, para que as pequenas e médias empresas se conscientizem da necessidade dos investimentos em eficiência energética falta capacitação e conhecimento técnico e, para as grandes, falta ordenamento diferenciado dos investimentos.
O diretor de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Humberto Moss, afirmou que o governo dá a devida prioridade para a questão da eficiência energética, mas ele alegou que o governo tem de atender a uma série de demandas simultaneamente.
“Temos um modelo energético que é muito recente, o Plano Nacional de Energia 2030 e toda a retomada de planejamento foram prioridades do governo. Sem o planejamento, não há como seguir em frente e estabelecer referências”.
Moss ressaltou que, no Plano Nacional de Energia 2030, há uma referência sobre a necessidade de se fazer um plano nacional de eficiência energética, projeto no qual o governo já está trabalhando. “Só que é algo extremamente complexo porque nunca foi feito antes. Quando se tenta quantificar isso, fala-se de milhares de situações diferentes, é um universo muito amplo”.
Maria Cecília Amaral, diretora-executiva da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) - entidade que congrega empresas que planejam, elaboram, e executam projetos de redução de consumo de energia - avaliou que o investimento de 0,09% do faturamento da indústria, que foi voltado para a eficiência energética nos últimos 10 anos, como indica o estudo, é muito baixo.
“Se a economia está em uma época de demanda aquecida, o industrial prefere investir no aumento de produção ao invés de investir na sua competitividade. O que acontece é que o industrial não enxerga a energia como insumo estratégico. Ainda é um percentual muito baixo dos industriais que enxergam na energia esse aspecto”, afirmou a gestora.
Agência Brasil







