FIESC defende redução da tarifa de gás à indústria exportadora
A Federação das Indústrias (FIESC) entregou no dia 27 ao ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, ofício defendo a redução da tarifa do gás natural às indústrias exportadoras. O presidente da entidade, Alcantaro Corrêa, afirmou que há uma oferta excedente deste insumo, devido à redução da atividade industrial durante o período de crise e que, com isso, os preços do gás natural deveriam ser mais competitivos, especialmente ao setor exportador que vem sendo prejudicado pela desvalorização do câmbio. A Federação também reforçou a importância de implantar no estado o terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) previsto pela Petrobras para o Sul e solicitou a implantação de programa regional para estimular a indústria fornecedora à cadeia do gás e do petróleo.
No ofício, a FIESC lembra que em momento de excedente de oferta de gás, como o atual - em decorrência do baixo nível de atividade das termelétricas que usa o combustível -, é viável a oferta do gás natural a preços mais competitivos à indústria. Empresários, especialmente do setor cerâmico, pediram ao ministro uma política tarifária para o gás mais transparente e de longo prazo, que permita mais segurança às empresas que investem nesta matriz energética.
Zimmermann afirmou que hoje o preço do gás natural é definido pelo governo. "Esta é uma indústria recente e a lei do gás, promulgada em março deste ano, deve melhorar o acesso dos consumidores ao mercado livre", disse.
Ao defender o terminal de GNL, a FIESC destacou que o estado oferece condições técnicas e econômicas e tem localização estratégica para receber o investimento. Outro pleito da entidade é a implantação de uma agência em Santa Catarina do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), programa do Ministério de Minas e Energia (MME) que tem o objetivo de incentivar o desenvolvimento regional da indústria que fornece bens e serviços ao setor petrolífero. "As oportunidades do pré-sal vão gerar inúmeras oportunidades à indústria nacional. Por meio deste programa, as empresas do estado receberiam mais investimentos e seriam estimuladas a atender as demandas deste setor no Brasil e pensar também em exportar, disse o presidente da FIESC, lembrando que a entidade já possui iniciativa nessa linha, que poderia ser potencializada.
Zimmermann, durante palestra em evento da Infragás, afirmou que em 2020 a produção brasileira de gás natural deve chegar a 187,13 milhões m³ por dia. Hoje o país produz 73,13 milhões m³ por dia. Dados do MME mostram que o gás natural no Brasil deve receber investimentos de R$ 3,5 bilhões de reais até 2010. O gás natural tem hoje uma participação de 10,2% na matriz energética nacional. O ministro em exercício disse que o país terá muitos desafios tecnológicos em relação ao pré-sal, com destaque para a questão logística para o escoamento do gás natural, porém ressaltou que a Petrobras já tem estudos em andamento nesta área.
A camada pré-sal posicionará o Brasil entre os dez países com as maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo - cerca de 87 % dos poços exploratórios realizados na área encontraram óleo ou gás. Hoje, o país ocupa a 16ª posição entre os maiores produtores mundiais de petróleo. Com a descoberta do pré-sal, estima-se que o país chegue a 8ª posição.
O maior potencial do pré-sal concentra-se na Bacia de Santos, no litoral dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, em região de águas ultraprofundas, com distância a 300 quilômetros da costa. Em relação às oportunidades para a indústria nacional, Zimmermann afirmou que só a Petrobras deve contratar, até 2018, 28 sondas de perfuração e oito plataformas do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading). Ele afirmou que hoje o país tem 107 mil km² de área sem concessão, que devem ser licitadas a partir de 2010.
O presidente da SC Gás, Ivan Ranzolin, afirmou que a empresa deve investir R$ 268 milhões até 2014. Deste total, 47% serão destinados a projetos na área industrial e de gás natural veicular (GNV). Desde 2000, quando foi criada, a empresa já investiu R$ 297 milhões, disse. Hoje, são 52 municípios atendidos e até 2014 a previsão é de chegar a 78 cidades do estado. Atualmente a empresa tem 176 clientes industriais, que consomem cerca de 70% do volume de gás natural distribuído pela SC Gás em Santa Catarina.
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