Momento não é bom para comprar ações
O momento não é bom para comprar ações. Especialistas em renda variável acreditam que o processo de queda das bolsas mundiais não terminou, apesar do respiro dessa quarta-feira, e dizem que ainda há muitas incertezas no horizonte. O melhor, nesse caso, é observar de fora. Mas, se o investidor tem sangue frio ou quer aproveitar para alterar sua carteira, a recomendação é de alocação em papéis defensivos e ligados à economia local.
Essas foram justamente as ações que menos caíram desde 8 de abril, data em que o Ibovespa – principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) – iniciou uma trajetória de perdas ininterruptas. A baixa acumulada desde então é de 17,6%, puxada basicamente por papéis ligados a commodities.
Nesse novo ciclo de queda, apenas cinco ações do Ibovespa subiram: a vendedora de bebidas Ambev (+5,9%), a varejista Renner (+2,5%), a elétrica de Minas Gerais Cemig (+2,2%), a empresa de produtos de beleza Natura (2%) e a companhia de cigarros Souza Cruz (1,7%). “É arriscado entrar em bolsa neste momento. O melhor é não entrar mas, se quiser, o investidor deve preferir setores defensivos”, diz Lika Takahashi, coordenadora de análise de investimento e estrategista da Fator Corretora. São conhecidas por defensivas ações de empresas pouco afetadas por oscilações econômicas ou com receitas constantes, como as elétricas.
Outro segmento considerado protegido no momento é o de companhias que atuam no Brasil, já que a economia local mostra força e foi pouco afetada pela crise econômica mundial. “A recomendação é a mesma do final de 2009, de foco nos setores domésticos, como construção civil e infraestrutura”, afirma Carlos Firetti, chefe de análise da Bradesco Corretora.
Gilberto Pereira de Souza, diretor de análise da BES Securities, também recomenda ações voltadas ao consumo doméstico. Ele lembra que, com a volatilidade recente do mercado, os investidores estão ficando cada vez mais imediatistas. “Estão comprando o próximo balanço trimestral, por enquanto”, diz, evidenciado o foco no curto prazo.
Commodities
A derrocada recente do mercado foi puxada por um tipo de ação que domina o Ibovespa – de empresas ligadas a commodities. São do segmento os papéis mais negociados da Bolsa e as companhias mais importantes da economia local, como Vale e Petrobras.
Todas as dez maiores perdas do índice de abril até terça-feira têm ligação com empresas que vendem matéria-prima. São companhias de siderurgia e mineração - como Usiminas, MMX, Gerdau e Companhia Siderúrgica Nacional - além da própria Petrobras e da produtora de papel e celulose Fibria.
Uma mistura de liquidez em Bolsa e efeito econômico global penaliza essas ações. Por serem os papéis mais negociados do Ibovespa, acabam sendo a via mais fácil para quem quer se desfazer da renda variável no Brasil. Já a questão macroeconômica mostra em que medida os investidores se antecipam às crises, vendendo ações na Bolsa.
“Nas últimas duas semanas, o investidor colocou no preço das ações a possibilidade de os problemas na Europa serem mais sérios e, com isso, afetarem a recuperação dos Estados Unidos”, diz Alexandre Póvoa, diretor do Modal Asset Management. Quando o temor é de expansão menor das economias, entra em cena o medo de redução nas vendas de matérias-primas. “Os preços das commodities, que vinham de picos históricos de alta, já começam a sentir esse efeito.”
Outro fator que enfraquece as commodities é a própria desvalorização do euro em relação ao dólar, como conseqüência da crise. “Esses produtos são cotados em dólar e, com a alta dessa moeda, fica mais difícil reajustar preços”, diz Lika, da Fator.
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