Recuperação global puxa os preços das exportações
A demanda chinesa e a recuperação das economias dos Estados Unidos e da América Latina abriram espaço para uma retomada das exportações brasileiras no terceiro trimestre. Embora tímido, o movimento também atinge o embarque de manufaturados e permitiu até pequenos aumentos de preços depois da recente valorização do real.
Os dados indicam que a reação dos volumes embarcados de manufaturados começou durante o segundo trimestre e consolidou-se nos últimos três meses, quando também houve recuperação de preços. O volume médio de manufaturados embarcados em julho e agosto cresceu 17,2% em relação ao primeiro trimestre e 6,5% na comparação com o período anterior.
Os manufaturados recuperaram, em julho e agosto, 1,4% do preço perdido no segundo trimestre, abaixo da alta de 3,4% obtida no total das exportações, segundo a Fundação Centro de Estudos para o Comércio Exterior (Funcex). A recuperação de preços elevou o valor total dos manufaturados embarcados. Em série com ajuste sazonal, o valor exportado pelas indústrias brasileiras em agosto cresceu 4% em relação a julho, percentual superior à alta de 2,7% dos bens básicos. Em setembro, o movimento de alta se manteve - até a terceira semana, a média diária de exportação de manufaturados cresceu 8,8% na comparação com agosto, em dados sem ajuste da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Conforme o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o início da recuperação dos manufaturados foi provavelmente resultado das vendas maiores para os Estados Unidos - 70% do que os americanos compram do Brasil são manufaturados. De julho a agosto, o valor médio diário das exportações para os EUA aumentou 27,7%, acima dos 7,2% do total das exportações.
Segundo Julio Callegari, do JPMorgan, a retomada de espaço dos manufaturados nas exportações é "inevitável". "Temos um sinal, só não temos a intensidade", analisa o economista, que ainda considera uma incógnita qual parcela das exportações os manufaturados voltarão a ter. "Isso dependerá da competitividade dos exportadores".
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