Brasil está no caminho certo, mas EUA perdeu década, diz Nobel
O Prêmio Nobel de Economia de 2004, Edward Prescott, fechou o ciclo de palestras da Expogestão 2010, no dia 21 de maio, em Joinville. O norte-americano disse acreditar que os Estados Unidos podem ter uma década perdida e que o Brasil está no caminho certo.
Prescott dividiu o Prêmio Nobel com o norueguês Finn Kydland, por suas pesquisas sobre ciclos econômicas e políticas na área. Os economistas propuseram um novo paradigma operacional para análise macroeconômica, baseada em fundamentos microeconômicos. Prescott é analista sênior da filial do Banco Central (FED) americano em Minneapolis, membro da Sociedade Econométrica e da Academia Americana de Artes e Ciências.
A crise financeira acabou, pelo menos nos Estados Unidos, diz Prescott, ao acrescentar que o mesmo não ocorre na Europa. “A Grécia está indo à falência, está gastando mais do que ganha, isso é um wake up call (um ‘chamado de vamos acordar’). É preciso que medidas salutares sejam tomadas para que esse comportamento seja interrompido, e isso tem que ser levado em conta, principalmente na Grécia”, alerta.
Com um decréscimo de 3% ainda se tem um equilíbrio econômico, mas, passando disso, é uma recessão, explica Prescott. Há seis meses, os Estados Unidos encolheu 9%, portanto está em depressão. Para Prescott, os EUA podem perder uma década de crescimento com essa recessão, como o Japão, de 1992 para 2002. Os EUA estariam em depressão por causa de suas políticas.
O Nobel Edward Prescott acredita que o Brasil está na direção certa. “Houve um período em que o país perdeu terreno para os Estados Unidos, mas nos últimos cinco, seis anos, vem se aproximando”. Mas quem está “bombando” mesmo é a China. “Ela está se aproximando do Brasil. É melhor vocês remarem depressa se quiserem continuar na frente”, brinca.
“Eu não sou especialista em economia brasileira, mas o Brasil vai se sair bem se mantiver as políticas econômicas atuais ou melhorá-las”. Uma prova disso é que pessoas que conhecem o mercado brasileiro estão aplicando o seu dinheiro aqui. “É um smart money (investimento inteligente), e essas pessoas não investiriam o seu dinheiro, se não fosse um bom negócio”, argumenta.
Para Prescott, um grande problema do Brasil é o excesso de centralização, e um dos erros do governo Barack Obama é estar caminhando nessa mesma direção. Ele recomenda a descentralização do poder e do dinheiro para que os estados possam competir uns com os outros. “Eu acredito piamente que a descentralização promove o desenvolvimento econômico”, ressalta.
Também é preciso investir em infraestrutura. Financiar a infraestrutura é um grande investimento, mas, para Prescott, os benefícios trazidos são imensos. O retorno é muito maior do que os gastos, afirma o Nobel de Economia. Deveria se usar dinheiro privado e não haver muita burocracia para investir nessa área. O economista apontou a construção de muitas estradas em Santiago do Chile como um exemplo, porque as pessoas perdem menos tempo se transportando para o trabalho, por exemplo, e o tempo é um recurso valioso.
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