'Ainda temos bala na agulha', diz Mantega sobre a crise
O ministro da Fazenda, Guido Mantega disse nesta segunda-feira (16), em palestra para investidores em Nova York, que o paÃs ainda tem ferramentas para abrandar os efeitos da crise internacional, acionando o que classificou como "cÃrculos de proteção da economia". "Ainda temos bala na agulha, ainda não esgotamos as polÃticas", afirmou.
Ele reiterou a avaliação de que o Brasil foi um dos últimos a ser afetado pela crise e disse que acredita que "será um dos primeiros a sair dela". Mesmo assim, admitiu que o cenário atual é grave: "O panorama da economia mundial está piorando. Até agora não houve solução para crise." O evento também contou com a presença do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles.
Entre as "munições" descritas pelo ministro, ele citou que o paÃs tem R$ 160 bilhões em depósitos compulsórios. "Sem falar da taxa de juro que ainda é elevada no Brasil e tem espaço para ser reduzida. Outros paÃses trabalham com juro próximo de zero", acrescentou.
Mantega disse que o Brasil nas décadas anteriores tinha comitê de credores. "Agora talvez precise de comitê de devedores do Brasil, pois hoje somos credores. Não sei se Bill Rhodes se habilita a tomar este papel", alfinetou o ministro, olhando para o executivo, que é presidente do Citibank e integra o mesmo painel de discussões do qual o ministro faz parte.
Sobre a crise mundial, Mantega reiterou que é preciso enfrentar rapidamente o problema da fragilidade de bancos, principalmente, nos EUA.
"Enquanto esta questão não se resolve, a economia real vai se deteriorando. Cada vez que o FMI faz uma previsão fica pior que a anterior. Na penúltima previsão ainda esperávamos crescimento positivo para 2009 (da economia mundial). Agora na ultima já estamos abaixo de zero", acrescentou.
O ministro ponderou que o Brasil é um dos paÃses que reúnem as condições mais favoráveis para enfrentar a crise. "Isso não quer dizer que não vá sofrer as consequências desta crise, mas vai sofrer de forma menos intensa". Ele acrescentou que as medidas do governo têm suavizado os efeitos da crise.
O ministro disse que, enquanto a maioria dos paÃses está esperando uma grande diminuição do emprego, haverá um saldo positivo de empregos em 2009 no Brasil. Ele exemplificou que, em 2008, a diferença entre admissões e demissões ficou em 70%, ou seja, "70% a mais de admissões do que de demissões", disse. Em 2009, ele afirmou esperar 20% mais admissões do que demissões.
(Agência Estado)






