"Brasil se tornou uma feira livre de importados”, diz presidente da FIERGS
“Não queremos proteção do governo para a indústria. O que nós queremos é ter isonomia nas condições de competitividade com alguns países. Não podemos aceitar que o Brasil se transforme em uma feira livre de importados”. Com essa declaração, o presidente da Federação de Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor Müller, justificou na manhã desta segunda-feira a decisão de levar ao governo federal uma proposta de criação de salvaguardas à importação de alguns produtos, especialmente daqueles que têm substitutos na indústria nacional.
Durante um evento em que fez uma análise do cenário macroeconômico global em 2011 e 2012, Müller se mostrou preocupado com o atual ritmo das importações no Brasil. Entre janeiro e setembro deste ano, apontou ele, a produção de bens duráveis na indústria brasileira cresceu apenas 1% – já a importação saltou 30% no mesmo período. Müller ressaltou que em todos os outros segmentos da indústria – bens intermediários, bens de capital e bens não-duráveis – as compras externas cresceram mais do que a produção nacional. “A diferença é a nossa desindustrialização”, apontou ele.
O presidente da Fiergs explica que o maior problema está naqueles países que “praticam dumping social e dumping cambial” – uma clara referência à China, que fornece produtos a preços inalcançáveis graças a uma política que tira proveito do baixíssimo custo da mão-de-obra chinesa, além da prática de “manipular” as taxas de câmbio. Müller entende que, para competir de frente com esses países, o Brasil não deve abrir mão de suas conquistas sociais e trabalhistas. “Nós estamos certos. Eles é que estão errados. As salvaguardas devem vir na forma de compensações para que possamos pelo menos igualar as condições de competitividade. Queremos empatar o jogo – se empatarmos, ganharemos”, assegurou Müller.
A proposta de criação das salvaguardas está sendo discutida no âmbito da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O objetivo é chegar a uma proposta que represente os interessas da indústria de todo o país – e então levá-la ao governo federal.
Conforme as projeções da Fiergs, 2012 será um ano com dois momentos distintos. No primeiro semestre, a tendência será de desaceleração. “Há um acúmulo de estoques em alguns setores. Para normalizá-lo, muitas indústrias terão de reduzir a produção por um tempo. Ao mesmo tempo, há essa disparidade entre o crescimento da produção nacional e o das importações”, destacou o economista-chefe da Fiergs, Igor Moraes. Conforme os dados levantados pela entidade, os setores que apresentam estoques acima do desejado são os de veículos, têxteis, máquinas e equipamentos elétricos, calçados e móveis. No segundo semestre, porém, o clima será de retomada no crescimento. A tendência é de que o PIB brasileiro feche o ano com um crescimento de até 2,6% em um cenário moderado – acima do índice previsto para o Rio Grande do Sul, que é de 2,1%.
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