Turbulência econômica faz nascer a geração pós-crise
A geração pós-crise. Este é o conjunto de empresas, governantes, investidores e consumidores que conviverão em um ambiente fruto da grande turbulência do capitalismo ao lado da quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929. Empresas que precisarão ser mais transparentes. Grandes apostas em derivativos, lucros à s custas de empréstimos de alto risco? Não mais. Investidores que serão mais rigorosos e menos histéricos. Lucro rápido por meio de empresas com polÃticas arriscadas, desmonte de posições ao primeiro sinal de perigo?
omportamentos ultrapassados. Consumidores que serão mais conscientes. Cair na tentação do crédito barato e fácil? O risco não compensa. E governos que saberão que seu papel não é nem de intervencionismo exagerado, muito menos de liberalismo total. O mercado regula a si próprio? Nunca mais.
"É uma tsunami que se vê uma vez a cada século". Essa foi a definição da crise dada pelo ex-presidente do banco central americano, o Federal Reserve (FED), Alan Greespan. Quando a onda gigante recuar e o mundo reconstruir a economia por cima dos entulhos, mais conhecidos como ativos tóxicos e créditos podres, as bases serão diferentes das usadas anteriormente e que não resistiram à tormenta. "A crise teve o mérito de balançar algumas falsas convicções", diz o economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PontifÃcia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.
A crise econômica que deu seus primeiros sinais no final de 2007 e é conseqüência de um conjunto de comportamentos errantes de governos, empresas, investidores e consumidores. Os bancos, principalmente nos Estados Unidos, estimulados por lucros rápidos e crescentes, fizeram apostas, que se provaram arriscadas demais. Diante de um mercado saturado e da necessidade de manter os ganhos, emprestaram para quem não podia pagar. Estes clientes também não foram capazes de calcular até que ponto poderiam comprometer-se e deram sua parcela de contribuição diante do consumismo quase que irresponsável. Acionistas estimulados pelos altos dividendos resultados deste cenário também pouco fizeram para estimar o preço que seria cobrado depois. E tudo isto sob as barbas do governo, crente que o mercado poderia criar suas próprias regras.
Desde o ano passado, chefes de Estado e lÃderes empresariais reúnem-se para saber em que ponto erraram e o que fazer para evitar um novo colapso. Os bancos, responsáveis por ensinar ao mundo o significado do termo subprime (empréstimos a clientes com altÃssimas chances de não honrarem seus compromissos), devem ser os primeiros a sentir mudanças: os olhos mais atentos do Estado. "O mundo parte para maior regulação de forma geral", afirma Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria. LÃderes das 20 maiores economias do planeta já deram o primeiro passo nesta direção, quando reunidos em Londres, no mês de abril. Uma das conclusões do encontro do G20 é que falta fiscalização e supervisão sobre o mundo financeiro. Após o mea-culpa, ficou decidido que é preciso apertar o cerco aos bancos.
Além de se adaptarem ao cerco mais rÃgido, não só os bancos, mas corporações de todos os setores conviverão em um mundo de menor crescimento e possivelmente mais protecionista. E serão companhias fragilizadas pelas perdas. Segundo o Boston Consulting Group (BCG), desde o perÃodo pré-crise até meados de março, só os bancos perderam cerca de US$ 5,5 trilhões - o equivalente a 10% do Produto interno Bruto (PIB) mundial.
Para quem sobreviver, descobrir quais os novos hábitos do consumidor pós-crise e identificar o momento exato do fim da turbulência para colocar em prática planos mais ousados será crucial, prevê Edison Cunha, diretor da Trevisan Consultoria.
"As intervenções (dos governos) não têm precedentes, assim como a própria crise", aponta o Boston Consulting Group. A previsão é que as instituições tenham um ambiente mais difÃcil e desafiador, que persistirá por um tempo ainda indefinido.
(Portal Terra)







