Alta da mensalidade escolar exige organização do orçamento
Há pelo menos dez anos consecutivos as mensalidades escolares sobem acima da inflação. Em 2011 não será diferente. O Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE) projeta alta de 5,29% na inflação neste ano. Para as mensalidades, a expectativa do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo é alta de, no mínimo, 8%.
Com o valor de reajuste conhecido, especialistas em finanças pessoais alertam que os pais devem reorganizar o orçamento familiar para conseguir incorporar o gasto maior nos próximos 12 meses. "Sobretudo porque o aumento de salário não ocorrerá ou não será equivalente ao aumento do custo", reforça Mário Amigo, professor de finanças da fundação instituto de pesquisas contábeis atuariais e financeiras (Fipecafi).
O primeiro passo é colocar na ponta do lápis os ganhos líquidos (ou seja, o que de fato entra na conta corrente) mensais. Depois, é preciso partir para os gastos.
Fábio Gallo, professor da Fundação Getúlio Vargas, sugere que a reorganização seja feita na estrutura A, B, C e D. No ‘A’ colocam-se os gastos com alimentos que a família tem. Na letra ‘B’, os custos básicos, como água, luz, internet, aluguel. ‘C’ serve para aquilo que é contornável. "Ou seja, tudo aquilo que faz a vida melhor, mas que numa emergência deve-se cortar." E, por último, a letra ‘D’, de desnecessário. "Nessa coluna colocam-se os itens que podem ser cortados imediatamente, como restaurantes, por exemplo."
Outra possibilidade de redução de custos ao longo do ano é no lanche das crianças, pontua Fabiano Guasti Lima, do Instituto Assaf. "No lugar de usar a lanchonete da escola, os pais podem mandar o lanche de casa."
Barganhar na compra do material escolar também está na lista de sugestões de Lima. Além disso, o especialista sugere que os pais negociem com a escola a antecipação de algumas mensalidades. "Pode-se usar o décimo terceiro salário para antecipar os gastos. Mas isso só vale a pena se houver um bom desconto", comenta.
Há uma porção de iniciativas simples que podem ser tomadas pelos pais para gerar economias significativas durante a virada do ano escolar.
Mary Elizabeth Hime, mãe de três alunos da escola Pio XII, no Morumbi, zona sul de São Paulo, dá um bom exemplo. Há dois anos ela é a coordenadora da "Bibliotroca" do colégio dos filhos. "Herdei a coordenação da mãe que criou o projeto", conta.
O método da "Bibliotroca" é simples: os livros usados são entregues a Mary e cada unidade vale um crédito. A retirada de um novo livro também vale um crédito. "Com cada filho economizo entre R$ 800 e R$ 1 mil em material didático", conta Mary.
Com o auxílio de uma outra mãe voluntária, Mary só recebe livros que estão na lista de material escolar do novo ano letivo. "A proposta não é virar um sebo", completa.
Para que se obtenha maior aproveitamento dos livros, ela conta que os professores instruem os alunos a fazerem exercícios a lápis no material, ou colocar as respostas em um caderno à parte. "Quanto mais bem cuidado estiver o livro, melhor. Então, além da economia aos pais, estimulamos essa responsabilidade nos filhos", diz a mãe.
Agência Estado







