Guido Mantega diz que redução de gastos públicos favorece corte na taxa de juros
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidiu na quarta-feira a primeira reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC) do governo da presidenta Dilma Rousseff.
O GAC, denominado no início de 2009 como Grupo de Acompanhamento da Crise, era um fórum de discussão formando por representantes do governo e do setor privado para discutir os impactos da turbulência financeira internacional e propor medidas para minimizar os efeitos na economia brasileira.
O novo GAC, conforme o ministro, deverá discutir formas de manter o desenvolvimento sustentável da economia, iniciado no governo anterior. Essa foi a prioridade colocada por Mantega nesta primeira reunião.
“O nosso eixo aqui agora não é mais combater a crise, que foi superada. Agora a questão central a ser discutida é dar continuidade à agenda do crescimento sustentável”.
Ele apresentou a empresários e a outros representantes da equipe econômica um relato de como o país enfrentou a crise financeira, com forte ação anti-cíclica do governo, e os principais desafios da nova agenda de desenvolvimento para os próximos quatro anos.
Afirmou que o corte de gastos de custeio do setor público, após o esforço do governo nos últimos dois anos para manter a atividade produtiva no período da crise, abrirá espaço para novas desonerações e para a redução das taxas de juros.
O ministro disse ao grupo que o país agora está numa fase de reajustamento fiscal e monetário. “A política monetária tem que reagir a essa nova colocação. Redução de gasto público tem que resultar depois em redução de juros. Essa é uma lógica que é aceita por todos”.
Mantega também destacou a necessidade de manutenção dos investimentos. “É fundamental que o investimento cresça duas a três vezes do PIB, crescimento de qualidade. Essa é a marca”.
Lembrou que para manter um nível satisfatório de investimento na fase aguda da crise, governo e setor privado discutiram uma série de ações que resultaram em concessão de subsídios, desonerações, créditos especiais e mais ação do BNDES.
“No ano passado, só o governo central alcançou R$ 47 bilhões de investimento. Somando os investimentos das estatais são quase R$ 90 bilhões e contando com estados de municípios chegamos a 5,4% do PIB em investimento público”.
O ministro observou que com o resultado do setor industrial de 2010, que aponta crescimento do setor de bens de capital de 20,8%, é possível afirmar que o governo conseguiu estimular investimento.
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