Indústria: Seis meses de crise: O impacto na indústria segundo a intensidade tecnológica
Como divulgado recentemente, a indústria de transformação sofreu retração de 14,6% no primeiro trimestre de 2009 frente ao mesmo trimestre de 2008. Considerando o acumulado relativo ao perÃodo de crise, de outubro de 2008 a março de 2009, a queda, de 10,3% ante igual acumulado de seis meses encerrado em março de 2008, também impressiona.
Das quatro faixas de atividades que compõem a classificação por intensidade tecnológica da OCDE para a indústria de transformação (alta, média-alta, média-baixa e baixa), apenas a de alta intensidade não sofreu queda na comparação entre o acumulado dos seis meses de crise e igual perÃodo de um ano antes. Os demais sofreram retração considerável. A variação positiva da faixa de alta tecnologia, de 0,2%, assinala apenas estabilidade. Aliás, o sinal só não ficou negativo por conta do quarto trimestre de 2008 – a primeira metade dos seis meses até março, logo após o advento do estágio atual da crise global.
No trimestre inicial de 2009, o conjunto de atividades de alta tecnologia teve queda de 4,7% vis-à -vis o mesmo perÃodo de 2008. Quanto aos maiores declÃnios, estes foram sentidos pelos segmentos de média-alta e de média-baixa intensidade: –19,1% e –11,2%, respectivamente, sendo que, no primeiro trimestre de 2009, as taxas foram de –25,4% e –15,9%. Já o agrupamento que reúne as atividades tidas pela OCDE como de baixa intensidade, declinou 4,5% no acumulado de seis meses até março. Em janeiro-março de 2009, a queda foi de 5,9%.
Mesmo que se aceite que o pior da crise já passou, o forte impacto na produção industrial sugere que a recuperação pode – e tende a – ser lenta. O ponto crucial está no fato de que o crédito abundante nos grandes paÃses compradores, como se observou no passado recente, dificilmente irá se repetir. Até pelo fato de a crise ter origem no próprio sistema financeiro. Assim, o reaquecimento da demanda externa tende a ser lento, apesar das medidas anticÃclicas tomadas por vários governos, em especial nos paÃses avançados. Quando se defende taxas de juros mais baixas do que as praticadas no PaÃs e aprofundamento de medidas anticÃclicas com base no mercado doméstico no Brasil, dentre as quais a realização de obras de infra-estrutura, é apenas a constatação de que as condições para a economia crescer são bastante estreitas ante o cenário mundial atual.
Fonte: Revista Portuária







